Apesar do muito que foi dito pela imprensa a discussão sobre o iPhone deve começar não sobre características técnicas mas sobre qual aparelho exatamente vamos tratar. O iPhone é um telefone IP que se conecta por Wi-Fi a internet, lançado pelo Cisco.
Não estou confuso, ocorre apenas que conforme foi noticiado na imprensa, a Cisco tem a patente do nome “iPhone” a mais de um ano e vinha negociando com a Apple o seu uso, sem chegarem a um acordo. A meu ver, se isso foi realmente o que aconteceu, a Apple esta tentando se apropriar indevidamente de uma marca registrada, o que é evidentemente reprovável e, portanto, o iPhone é da Cisco Systems.
Apesar disso, vamos tratar neste post do telefone celular que a Apple lançou um janeiro na Macworld Expo 2007 em São Francisco - Califórnia, que despertou o interesse de todos, inclusive o meu.
Muito se fala sobre o novo smartphone da Apple, mas será que ele é mesmo um smartphone?! Até onde foi noticiado ele não aceitará a instalação de aplicativos pelo usuário. Esse não seria um requisito para que possamos chamar um aparelho de smartphone? O próprio conceito de smartphone não exigiria esta capacidade? A meu ver sim, apesar de ninguém poder negar que, se ele fizer metade do que promete, será pra lá de esperto (ou smart).
Tenho lido que ninguém nas principais publicações que o fabricante do processador continua sendo desconhecido. Acho estranho, pois lembro bem de ter lido em algum lugar uma declaração dada logo após o keynote do Steve Jobs, de um representante da Intel que estava na Macworld Expo que afirmou categoricamente que o processador do iPhone seria fornecido por eles.
Tudo bem que o clock não foi divulgado, mas não é difícil deduzir que para fazer o que ele se dispõe a fazer terá de ser um processador de no mínimo 400 Mhz. Também não deve ultrapassar os 900 Mhz, devido ao consumo de energia prometido de mais de 5 horas de conersação ou 16 horas “apenas” ouvindo música. Eu apostaria em um procesador de 800 Mhz.
A tela do aparelhinho deve ser um show a parte. Serão 3,5 polegadas, resolução de 420 por 480 pixels em 160 ppi (points per inch), no formato widescreen. Até ai legal, mas não excepcional. A grande revolução vem com a tecnologia Multi-touch que, se cumprir o que promete, será uma das maiores revoluções a serem trazidas pelo iPhone. Acho que esse será um dos pontos fortes do iPhone. A parte gráfica sempre foi um dos pontos fortes da Apple e não vejo motivos para acreditar que ela descuidaria deste ponto, mesmo com projetos tão ambiciosos como o Multi-touch.
O tal do Multi-touch é uma tecnologia que vai muito alem da parte gráfica, sendo responsável, entre outras coisas, pela capacidade de utilização do iPhone com apenas uma mão, seja você destro ou canhoto.
Outro ponto forte do aparelho é um abase sólida, consituida por um sistema operacional robusto, o Mac OS X. Evidente que terá de ser uma versão reduzida, mas mesmo assim é um grande começo.
Apenas para ilustrar para quem nunca teve contato com um Mac, eu sou um usuário novato em Mac, comprei meu primeiro a apenas 2 meses, mas estou surpreso que ainda não tenha travado NENHUMA VEZ. Para um usuário de Windows de longa data, isso parece até obra divida, um verdadeiro milagre, trabalhar em um sistema por 2 meses sem nenhum travamento. E olha que nunca foi aficionado por nenhum sistema, já passei por todos os Windows, algumas distribuições de Linux e agora testo o Mac OS. Até agora estou encantado, mas mais para frente eu faço um review completo desta migração.
A câmera digital é apenas razoável, com 2 MP de resolução, o que é o mesmo que o existente em diversos aparelhos disponíveis hoje no mercado. Resta ver a qualidade do conjunto óptico, que pode fazer com que ela seja realmente útil ou que se torne apenas mais um brinquedinho, com em diversos telefones existentes.
Em relação a conctividade a Apple parece não ter brincado em serviço pois o aparelho terá conexão Wi-Fi “b” e “g” (rede sem fio), EDGE (banda larga pela rede GSM) e Bluetooth 2.0.
Apesar da excelente conectividade, ouvi comentários de que a sincronização terá de ser feita via cabo, o que, se for verdade, não deve durar muito. Se a Apple não corrigir esta “falha de projeto” logo após o lançamento, provavelmente em pouco tempo teremos software de terceiros sincronizando via Wi-fi ou Bluetooth.
A telefonia é o que deveria ser, um aparelho GSM quad-band (850, 900, 1800 e 1900 MHz). Porém, nos Estados Unidos, durante os três primeiros anos, ele será vendido apenas pela operadora de telefonia celular “Cingular”. Quanto a europa e Ásia, que tem lançamentos previstos para setembro de inicio de 2008, respectivamente, ainda não se sabe se alguma operadora terá exclusividade sobre a distribuição.
A exclusividade de distribuição dada a Cingular inviabilizou qualquer eventual plano de dar um “pulinho” em Miami ou Nova York para comprar iPhone antes do lançamento oficial no pais.
O lado ruim é que mesmo que algum pheaker (hacker de telefonia) arrume algum meio de desbloquear o aparelho para que venha a funcionar em qualquer rede GSM, o que certamente aconteceria, ainda assim você só poderia comprar o aparelho depois de assinar um contrato de “ fidelização” por 2 anos com a operadora Cingular, o que te obriga a pagar a conta de telefone por esse período, usando ou não.
Por outro lado, a Apple precisava fazer este tipo de parceria com alguma operadora para obter o apoio tecnológico necessário ao desenvolvimento do produto com todas as suas funcionalidades. Como por exemplo aconteceu com a secretaria eletrônica (ou correio de voz), que foi completamente reformulado para algo totalmente inovador, lógico, simples e natural. Com a nova “Visual Voicemail” ou correio de voz visual do iPhone permite que você veja e selecione de uma lista com as mensagens que há em sua caixa postal, o que evita que você tenha de ouvir todos os recados para chegar a que realmente lhe interessa. Novo e revolucionário, porém extremamente simples.
E mais, a parceria entre a Apple e a Cingular certamente fez com que o preço do iPhone para o mercado americano fosse mais baixo do que deveria ser. Provavelmente a parceria com certeza previu o subsidio do aparelho. O preço divulgado para o mercado americano é de US$ 499,00 para o modelo de 4GB e US$ 599,00 para o modelo de 8GB. Vale lembrar que o preço para os outros mercados onde o aparelho será lançado ainda não foi divulgado.
Uma das maiores incertezas sobre o iPhone é sobre data e preço de lançamento no Brasil, e convenhamos é o que mais interessa nós brasileiros.
Realmente qualquer coisa que se fale sobre isso não passa de mera especulação, mas como consumidor ávido por tecnologia acho que, ainda assim, vale especular.
Sobre quando do iPhone vai estar disponível para os consumidores brasileiros, acho realista acreditar que ele deve chegar, ao menos por importação extra-oficial, em março ou abril de 2008. Isso por que a Apple divulgou que pretende lança-lo na Ásia no começo de 2008. Entendo que o começo deve ser março ou abril, pois se eles pudessem lançar muito no começo eles certamente adiantariam o lançamento para dezembro para aproveitar as compras de natal.
Sendo lançado na Ásia fica difícil conter a importação pois o mercado asiático é um mercado promiscuo e que provavelmente acabará redistribuindo para o resto do mundo de uma forma ou de outra. Qualquer tentativa de bloquear hardware ou software nunca teve sucesso naquela parte do mundo e nada, por enquanto, me leva a crer que virá a ter.
A questão do preço a que chegará ao Brasil é uma questão muito mais complexa. Isso por que o único preço que conhecemos, como foi mencionado, não parece ser o preço real do produto, pois reflete um provável subsídio dado pela Cingular.
Assim, existem diversas variáveis desconhecidas nesta equação, quais sejam:
-o preço real do produto;
-o custo de importação, como impostos, transporte e distribuição;
-a parceria da Apple com alguma operadora de telefonia brasileira;
-o subsídio do aparelho decorrente de contrato de fidelização firmado entre a operadora e o consumidor.
Ainda existe a possibilidade real de a Apple firmar um contrato de exclusividade na distribuição com alguma operadora, o que indiretamente elevaria o preço final do produto pela falta de concorrência.
Ou seja, a matemática que eu tenho visto por ai sobre o preço que o iPhone vai chegar ao Brasil é, ao meu ver, algo irreal. Apesar de eu também estar especulando, acredito que simplesmente multiplicar o preço sugerido para o mercado americano (US$ 599,00, considerando o modelo de 8GB) pelo cambio do dia (hoje - R$ 2,10) e estimar os custos de importação (70%), para chegar a um valor (hoje - R$ 2.138,43), é desconsiderar diversos fatores importantes para a fixação do preço do iPhone para o mercado brasileiro.
Também te de ser considerados diversos outros custos indiretos na aquisição deste tipo de produto.
Não faz o menor sentido comprar um iPhone e não contratar um pacote de dados com a operadora de celular. Um pacote ilimitado custa aproximadamente R$ 60,00/mês em São Paulo. E acredite, será necessário um pacote ilimitado para usufruir as vantagens do iPhone.
Também não podemos esquecer que o iPhone é antes de mais nada um celular e não serviria para nada sem um plano de voz. O custo mensal do gasto com telefone varia muito de pessoa para pessoa, mas de quem supostamente “precisa” de um aparelho deste nível espera-se que gaste ao menos R$ 100,00/mês.
Se levarmos em conta o exemplo americano onde o iPhone somente será vendido com um contrato de fidelização de 2 anos, temos um custo indireto estimado de R$ 3.840,00, que será diluído ao longo de 2 anos, mas que deve ser considerado e somado ao custo do aparelho, para poder avaliar o real custo / benefício do iPhone.
Apesar de tudo, estou louco para por a mão no meu…
Evaldo Indig Aves
Fontes:
-Apple Inc.
-Revista Mac+
-Revista Info.
-Revista Veja.